Eu pedi um tempo ao tempo, pra tentar viver outro tempo sem saber que naquele tempo, o tal tempo não cabia. Mas tudo tem seu tempo, acredito nisso. O problema é que o tempo que dizem "apagar tudo", só guarda aquilo "tudo" em algumas gavetas criadas por ele na distância; fiquei com medo de não ter tempo suficiente, e tentei atrasar as horas. Quebrei o relógio. Quebrei a cara. Então resolvi apressar o tempo, não precisava mais dele, mas ele me bateu com força pela pressa descabida, exibindo seus ponteiros orgulhosos. Voltei às gavetas. Inspecionei cada uma, pensei que fosse encontrá-lo, o tempo, mas ele havia se mudado. No lugar havia um outro, não sei quem este era. Tentei cumprimenta-lo, mas ele só me gritou de longe um "até breve".
13 de outubro de 2011
8 de outubro de 2011
[IN]Decisão
Eis que chega numa encruzilhada. Seus olhos percorrem todos os caminhos, "por onde seguir?" - perguntou-se.
Olhou para trás com pesar, a rua iluminada fazia-se cinza, ela precisava ir, e a urgência em fazê-lo doía-lhe a garganta. Respirou fundo e soltou a bagagem ao chão. Decidiu que não levaria nada consigo. Mas como deixá-las? As pessoas? Um passo à frente e a eternidade dos segundos, se permitiu sorrir de forma amedrontada, porém deliciosa. Seus olhos queimavam deslumbrados ao avistar as novas ruas. Seu corpo gritava numa só voz "não para menina, não para; pois o tempo passa e a vida precisa seguir..." E foi, com jeito de quem sabia exatamente o que fazer.
5 de outubro de 2011
28 de julho de 2011
(Queria uma árvore bem alta em meu jardim, é que hoje me apetece sentar no topo e me esconder entre os ramos; observar lá de cima as cores que existem, e as que apenas vejo.)
E se eu pudesse dizer palavra por palavra o que me vai à cabeça, sem nenhuma espécie de "coador" ou tese, descrevendo com exatidão os gritos ao fundo da barriga, bagunçando mais que se borboletas fossem. Seria como abrir uma gaveta, que veio de lugar nenhum porém repleta dos meus dias. O que farias tu ao me ver despir-me de mim? De tu?A futilidade de uma folha que se deixa levar pelo vento, por ruas cinzas. Por ruas.
24 de julho de 2011
Sentou-se diante dele, seus olhos o encaravam sem querer, decidiu concentrar-se apenas na fumaça que vinha do cigarro de alguém, tentava lembrar da lista pessoal de razões intimistas, queria levantar e partir -mas faltava no entanto o querer de verdade, e em meio a um pensamento ou outro lhe furtava um olhar. A falta que agora preenchia todos os espaços da boca que um dia brincou em seu sorriso, era a mesma saudade que se apresentava, no abraço com gosto bom de momento que passou. Ela ainda não sabia que mesmo tendo mudado as cores do cenário, os encontros que deveriam ser superficiais, estavam se tornando cada vez mais entregues.
8 de julho de 2011
7 de julho de 2011
5 de julho de 2011
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